terça-feira, março 22, 2011


Mistério no beco sem saída

Na estante do meu quarto as fotos todas ficaram mudas. Antigamente eu até me lembro que elas conversavam comigo. E entre os segredos mais antigos eu guardo um especial... lá no beco sem saída. Se por acaso você entrar lá, não se preocupe, só entra quem eu deixar e pra sair é só seguir a minha sombra. Isso, é claro, se for dia de sol, porque quando chove, eu fico em raios como uma tempestade. E nesses dias você não encontrará a minha sombra. Porém, não se assuste: te convidarei (e você tolo sem escolhas ficará) a permanecer em minha companhia. Você irá pensar que estamos a sós, apenas nós dois... Lamento que não seja assim, pois trago dentro de mim uma diversidade e variedade de mulheres. São tantos jeitos e gestos, cabelos e cores, dramas, dores e damas, olhares errantes, laços e lentes (que insistem em aumentar a realidade) de um espírito sonhador! É uma extrema vontade de mudança, de querer tudo de uma vez, de apelar para mimos e charmes, que às vezes eu mesma me rendo aos encantos próprios, às promessas que tento cumprir mas não consigo e sinto-me fraca em agir assim!

Quando você estiver nesse beco sem saída, conseguirá conhecer um lado da minha vida que é extremamente plural, um espaço íntimo. Mas, para isso acontecer, muitas primaveras terão que despertar. Se você quiser perguntar qual o segredo desse beco sem saída para alguém que já esteve lá, comece procurando pelas ruas, pelo vento, em nomes riscados em árvores, nos papéis de bala, no resto da saudade não contida, no velocímetro do carro, na noite mal dormida, no suor das mãos, nos brincos perdidos, nos sonhos e nas ilusões. Junte tudo isso. Organize as pistas! Talvez, algum dia, alguém consiga aparecer por lá. Talvez alguém que caiba nos meus sonhos...


Linda (especial): Kelly Catarina 


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terça-feira, março 15, 2011


Sobre flores e jardins, desejos e (des)cuidados...

Desejei tanto uma flor e não vi o jardim completo. Estava desejando tanto aquela e só aquela flor que esqueci do jardim, das outras flores e dos outros jardins.
Desejei, apanhei e quis tanto e cuidei, mas ela murchou. Não lembrei que flores murcham e sempre haverá outra com outro cheiro, outra cor, outra beleza...nova e encantadora.
Parti em busca de outra flor e o jardim todo havia murchado, pois cuidei apenas daquela flor que não mais existia. Descuidada que sou esqueci também que as flores murcham e, por isso, o que deve ser cultivado mesmo é o jardim, os jardins, muitos jardins.
Agora, sem buscar nenhuma flor, dê-me licença, cuidarei do meu jardim.

Linda: Amanda Deodato
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quinta-feira, fevereiro 24, 2011


Um Somatório

E aquilo nunca chega. E ela se culpa. E, na sua ânsia e sua teimosia garante que pra que aconteça só depende dela. E se culpa de novo. Já consegue entender que isso não é verdade. Seu grande mérito é querer nada menos que merece, é querer melhor, à altura. E é isso que acaba sendo seu motivo de frustração, mesmo que passageira. Uma mulher que sabe bem o que quer, mas que sabe como é difícil lutar por tudo isso. E que se cansa. Ah, ela cansa. E berra. E se sente só. Não vazia, mas só. Ser quem ela quer ser é ainda um desafio, uma luta diária contra si mesma, contra aquilo que se pensa e não quer mais pensar, por aquilo que tem que abandonar, que permitir, que deixar chegar, que deixar passar. E vem a insatisfação, a dúvida, o pensamento. E ela pensa. Duvida, mas acaba saindo dessas recaídas duvidosas ainda mais cheia de certeza. É isso mesmo que ela quer. E é bom saber que está caminhando bem, tombando, levantando, mas caminhando, fazendo o seu caminho. Um mulher que quer ser. Uma mulher que é.


Linda: Cecília Barbosa
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quinta-feira, fevereiro 10, 2011


Deixa ser...

Como você reage quando uma mulher te encara e assume sua busca por um homem que lhe proporcione estabilidade, segurança e amor? (Eu digo que também quero e acrescento na lista ombros largos!)

Se um homem te encara e afirma buscar aquela mulher que o complete, divida a vida, que seja linda e goste de sexo? (Ajeito os cachos e digo sutilmente, claro, que estou solteira.)


Quando uma mulher em meio a uma conversa qualquer expõe que decidiu beijar, que quer dividir o apartamento e as preocupações e que gosta de passar a mão na cintura de outra mulher? (Sugiro que dividam as roupas também. Mas e aí? Deixo que vocês respondam)

 
E se um homem assume gostar de tocar os ombros largos, gosta de outra voz grossa e trocaria uma noite com todas aquelas bundas da revista por uma noite com alguém que possui seus mesmos "atributos"? (Eu concordo, mas imagine a situação. Como reagiria?)


Ao invés de buscar explicações e justificativas baseadas nos padrões, nos estudos e na ciência e chegar a conclusões mornas, evasivas, conclusões "certas", preconceituosas...

Desarme-se. Conheça. Busque conhecer. Permita-se conhecer.
Se te revelarem o amor por alguém (seja lá a pessoa homo, hetero, bi, emo ou só sexual mesmo) prefira transmitir que ele, o amor, deve ser, acima do parecer; que o prazer esteja acima do dever e que o sentir esteja acima de tudo e apesar de qualquer coisa.
Defendo com firmeza que toda forma de amor é aceitável , sim!
E amar (também) é isto. Aceitar. Respeitar. Deixar livre para ser quem se é e não ser quem querem que seja.
Amor é amar e pronto. E ponto.


"Eu quero crer no amor numa boa. 
Que isso valha pra qualquer pessoa que realizar a força que tem uma paixão..."




Lindas: Amanda Deodato e Cecília Barbosa
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quinta-feira, janeiro 27, 2011


De Teresa a Monroe

Cleópatra, Joana D’arc, Mary Quant, Cecília Meireles, Maysa, Madre Teresa de Calcutá, Leila Diniz, Cora Coralina, Clarisse Lispector, Marilyn Monroe. Jornalistas, princesas, escritoras, atrizes, rainhas, santas, loucas, religiosas, profanas. Mulheres. Lendo sobre mulheres a frente do seu tempo, achei várias narrativas, das mais variadas épocas e contextos, cada qual com sua peculiaridade, seu ideal, seu sonho, seu jeito. Porém, diante de tantas divergências, não pude deixar de notar o quão semelhante é a essência das mulheres que protagonizaram e tem seus nomes gravados na história de forma tão especial: a ousadia. Todas, sem exceção, foram ousadas o suficiente para lutar por aquilo que almejavam, indo de encontro ao comodismo da sociedade que viviam, aos julgamentos que sofreram, aos preceitos estabelecidos, às incertezas que, com certeza, permeavam seus pensamentos. Esse não é um texto feminista. É um texto humano-feminino. É apenas um registro e uma singela lembrança a essas que fizeram diferente e que tiveram a audácia de ser quem queriam ser independente da época. A essas humanas que foram atenciosamente escutadas pelo que falaram nao só com os olhos, como disse Victor Hugo, mas pela atitude, voz firme, escolhas corajosas e amor pelo ser. A essas humanas que, como todos nós, podem ser consideradas realmente lindas. Lindas sem aspas.

      

"Apesar de todos os medos, escolho a ousadia. Apesar dos ferros, construo a dura liberdade. Prefiro a loucura à realidade, e um par de asas tortas aos limites da comprovação e da segurança." (Lya Luft)

                                                                                                                                              
Lindas: Cecília Barbosa e Amanda Deodato
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terça-feira, janeiro 25, 2011


Só um pouquinho!


Cada vez que me lembro, revivo, sorrindo, as emoções da minha vida. Encontro atitudes imaturas, pensamentos infantis, ilusões alimentadas com a mais certa das realidades. Me disfaço de algumas delas, a outras ainda me apego e por elas tenho grande estima, como se não fizessem mal caso fiquem um pouco mais comigo. Só um pouquinho. Postergo-as. Teimo em procrastinar com essas minhas ilusões, mentindo pra mim que me livro delas quando quiser, mesmo que seja em cima da hora. Nessa busca de abandonar o que quase sempre esteve comigo, é inevitável não sentir uma certa nostalgia. Não é que eu queira só realidade, quero apenas um pouco menos de ilusão.


Linda: Cecília Barbosa
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segunda-feira, janeiro 24, 2011


Sinto

Meio preto e branco mesmo.

Mesmo desistindo de entender a maioria das coisas que se passam comigo, gosto de escrever sobre e impressiono-me por serem tão belas, suaves e peculiares, ainda que muito confusas. Aprendi a amar as coisas novas. E comecei a reconhecer cores, conhecer paisagens e pessoas, descobrir coisas e verdades, despertar o interesse, ter a certeza dos amores e vencer travas. É que sinto uma saudade das coisas que descobri, apreendi e registrei, mas não podem ser totalmente minhas. E sinto saudade mesmo ainda tendo posse.
Realmente confuso.
Acontece que falei de amor, de cores, paisagens, pessoas, decobertas, verdades, interesse, certeza e travas e sobre isso não há entendimento nem palavras. Apenas se sente. Eu sinto. Apenas me sinto bem e viva. Apenas sinto saudade.

Linda: Amanda Deodato

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