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quinta-feira, julho 07, 2011


Ela


Ela não estava bem. Definitivamente, não estava bem. Sim, verdade que ela sorria, bebia, saía com os amigos...acontece que ela começa a sentir novamente aquela vontade de se fechar pro mundo. Lembra daquele período de isolamento? Celular desligado, redes sociais desatualizadas, nada de cartas, e-mails. As pessoas perguntam: cadê o sorriso daquela moça? Meu Deus, logo o sorriso. Ela sorría linda e facilmente. E se perdeu. Há quem diga que aquele moço que provocou tantos sorrisos levou-os quando foi embora.
Ele foi embora.
Ele foi, porque não havia explicação. Nenhuma explicação. Ela tanto se perguntou, esperou, quis e ele foi embora. Levou o sorriso e um pedaço do cabelo (é, ela cortou. Mulher tem dessas coisas de mudar o cabelo diante das mudanças da vida), mas esqueceu de levar as lembranças...
Ah, ela vai chorar um pouco. Vai almoçar com uma amiga que passa por algo parecido, afogar as mágoas, quem sabe tomar uma caipirinha(não, ela decidiu parar de beber). Depois vai pra casa arrumar os cabelos, as unhas estão boas, vai dormir algumas noites e outras não. Vai acordar, jogar uma água no rosto e despertar. É nisso que ela se apega! As paixões virão verdadeiras, os amores serão intensos, a vida ainda vai valer muito a pena.

Linda: Amanda Deodato
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terça-feira, abril 19, 2011


Diálogo sem fim

Depois de alguns encontros perdidos e escondidos, na primeira cruzada de olhar daquela dia e antes do quarto, da Itália, do estádio, do terraço, da varanda, da cama e do término sem fim:

Ela – O que foi?
Ele – Não é mais
Ela – Jura?
Ele – Será a partir de agora
Ela – O que você quer?
Ele – Você!
Ela – E o que mais?
Ele – Seu cheiro, seu...
Ela – Falo além de mim, o que você quer?
Ele – Quero pouca coisa pra ser muito seu.


(Silêncio por pouco tempo)


Ele – Você quer?
Ela – (Quando abriu a boca ele a interrompeu)
Ele – Quer que eu te queira? Quer me querer?
Ela – Eu só quero bem, muito...


(Ela passou a mão nos cabelos, ele olhou para o lado e os dois deram um gole)


Ela – Não acha melhor parar?
Ele – Não quer mais vinho?
Ela – Quero vinho, não sei se quero continuar
Ele – Você é capaz de me dar um motivo pra parar?
Ela – Desistir é mais sensato
Ele – Continuar é melhor, bom...
Ela – Faz bem?


(Mais um pouco de silêncio e vinho)


Ele – Você quer que eu vá embora?
Ela – Não e você sabe disso
Ele – Então fique, me deixe ficar
Ela – Só não quero que fique aqui, quero sempre
Ele – Quer ficar no quarto?
Ela – Agora sim
Ele – Falo de agora. Daqui a alguns anos estaremos...
Ela – Você acha?
Ele – Vamos?
Ela – Eu quero ir! Ao quarto, à Itália, à praia e até o fim.
Ele – Eu quero no estádio, no terraço, na cama, na varanda e nada de fim. E que termine assim, sem fim.
__________________________
Achei isso perdido pela minha agenda de 2006. Lembro que o escrevi no auge da minha crença no amor sem fim e ainda assim havia um rabisco embaixo: depois escrever o “Diálogo do fim”. Creio que sempre pensei que pode ter fim, ainda que não acabe. Curioso o surgimento e a insistência do que chamam de amor até quando é, no mínimo, findável. Fim. 


Linda: Amanda Deodato
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terça-feira, março 15, 2011


Sobre flores e jardins, desejos e (des)cuidados...

Desejei tanto uma flor e não vi o jardim completo. Estava desejando tanto aquela e só aquela flor que esqueci do jardim, das outras flores e dos outros jardins.
Desejei, apanhei e quis tanto e cuidei, mas ela murchou. Não lembrei que flores murcham e sempre haverá outra com outro cheiro, outra cor, outra beleza...nova e encantadora.
Parti em busca de outra flor e o jardim todo havia murchado, pois cuidei apenas daquela flor que não mais existia. Descuidada que sou esqueci também que as flores murcham e, por isso, o que deve ser cultivado mesmo é o jardim, os jardins, muitos jardins.
Agora, sem buscar nenhuma flor, dê-me licença, cuidarei do meu jardim.

Linda: Amanda Deodato
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quinta-feira, fevereiro 10, 2011


Deixa ser...

Como você reage quando uma mulher te encara e assume sua busca por um homem que lhe proporcione estabilidade, segurança e amor? (Eu digo que também quero e acrescento na lista ombros largos!)

Se um homem te encara e afirma buscar aquela mulher que o complete, divida a vida, que seja linda e goste de sexo? (Ajeito os cachos e digo sutilmente, claro, que estou solteira.)


Quando uma mulher em meio a uma conversa qualquer expõe que decidiu beijar, que quer dividir o apartamento e as preocupações e que gosta de passar a mão na cintura de outra mulher? (Sugiro que dividam as roupas também. Mas e aí? Deixo que vocês respondam)

 
E se um homem assume gostar de tocar os ombros largos, gosta de outra voz grossa e trocaria uma noite com todas aquelas bundas da revista por uma noite com alguém que possui seus mesmos "atributos"? (Eu concordo, mas imagine a situação. Como reagiria?)


Ao invés de buscar explicações e justificativas baseadas nos padrões, nos estudos e na ciência e chegar a conclusões mornas, evasivas, conclusões "certas", preconceituosas...

Desarme-se. Conheça. Busque conhecer. Permita-se conhecer.
Se te revelarem o amor por alguém (seja lá a pessoa homo, hetero, bi, emo ou só sexual mesmo) prefira transmitir que ele, o amor, deve ser, acima do parecer; que o prazer esteja acima do dever e que o sentir esteja acima de tudo e apesar de qualquer coisa.
Defendo com firmeza que toda forma de amor é aceitável , sim!
E amar (também) é isto. Aceitar. Respeitar. Deixar livre para ser quem se é e não ser quem querem que seja.
Amor é amar e pronto. E ponto.


"Eu quero crer no amor numa boa. 
Que isso valha pra qualquer pessoa que realizar a força que tem uma paixão..."




Lindas: Amanda Deodato e Cecília Barbosa
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quinta-feira, janeiro 27, 2011


De Teresa a Monroe

Cleópatra, Joana D’arc, Mary Quant, Cecília Meireles, Maysa, Madre Teresa de Calcutá, Leila Diniz, Cora Coralina, Clarisse Lispector, Marilyn Monroe. Jornalistas, princesas, escritoras, atrizes, rainhas, santas, loucas, religiosas, profanas. Mulheres. Lendo sobre mulheres a frente do seu tempo, achei várias narrativas, das mais variadas épocas e contextos, cada qual com sua peculiaridade, seu ideal, seu sonho, seu jeito. Porém, diante de tantas divergências, não pude deixar de notar o quão semelhante é a essência das mulheres que protagonizaram e tem seus nomes gravados na história de forma tão especial: a ousadia. Todas, sem exceção, foram ousadas o suficiente para lutar por aquilo que almejavam, indo de encontro ao comodismo da sociedade que viviam, aos julgamentos que sofreram, aos preceitos estabelecidos, às incertezas que, com certeza, permeavam seus pensamentos. Esse não é um texto feminista. É um texto humano-feminino. É apenas um registro e uma singela lembrança a essas que fizeram diferente e que tiveram a audácia de ser quem queriam ser independente da época. A essas humanas que foram atenciosamente escutadas pelo que falaram nao só com os olhos, como disse Victor Hugo, mas pela atitude, voz firme, escolhas corajosas e amor pelo ser. A essas humanas que, como todos nós, podem ser consideradas realmente lindas. Lindas sem aspas.

      

"Apesar de todos os medos, escolho a ousadia. Apesar dos ferros, construo a dura liberdade. Prefiro a loucura à realidade, e um par de asas tortas aos limites da comprovação e da segurança." (Lya Luft)

                                                                                                                                              
Lindas: Cecília Barbosa e Amanda Deodato
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segunda-feira, janeiro 24, 2011


Sinto

Meio preto e branco mesmo.

Mesmo desistindo de entender a maioria das coisas que se passam comigo, gosto de escrever sobre e impressiono-me por serem tão belas, suaves e peculiares, ainda que muito confusas. Aprendi a amar as coisas novas. E comecei a reconhecer cores, conhecer paisagens e pessoas, descobrir coisas e verdades, despertar o interesse, ter a certeza dos amores e vencer travas. É que sinto uma saudade das coisas que descobri, apreendi e registrei, mas não podem ser totalmente minhas. E sinto saudade mesmo ainda tendo posse.
Realmente confuso.
Acontece que falei de amor, de cores, paisagens, pessoas, decobertas, verdades, interesse, certeza e travas e sobre isso não há entendimento nem palavras. Apenas se sente. Eu sinto. Apenas me sinto bem e viva. Apenas sinto saudade.

Linda: Amanda Deodato

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