sábado, maio 07, 2011


Mãe


Cecília Barbosa sobre Dona Terezinha
A minha tem mãos pequenas cheias de sinaizinhos e o dedão da sua mão direita é mais gordinho que o da mão esquerda. Ela é destra, mas tem muito mais força na mão canhota. Fazemos aniversário no mesmo dia.  Ela também é pisciana, dramática e coração de manteiga como eu. Quase nunca diz não, mas sempre soube me lembrar dos meus limites e das conseqüências das minhas ações e isso foi mais do que suficiente. A gente briga um bucado. A gente se cheira e se abraça um bucado maior ainda. A gente conversa sobre tudo, tudo mesmo. E definitivamente nós não temos uma relação convencional. Somos diferentes, sim. E eu amo tanto isso. Ela me conhece como ninguém. Fala dos meus defeitos como ninguém também e eu acho isso tão irritante, mas único, indispensável. Quando ela sorri, sorri com vontade e bem largo, e depois dá uma tossidinha, sempre. Também é cacheadinha, mas não tem muitas vaidades. Não usa brincos. Colares ela gosta. Tem os olhos cor de mel mais lindos e brilhantes que já me olharam. Baixinha de pernas grossas e torneadas. É linda. É minha. É o broto a quem tanto amo e me faz ter motivos pra querer ser cada vez melhor.

Amanda Deodato sobre Dona Mena
Mamis é uma baixinha magra e bem forte. Ela tem um rosto de traços delicados e uns olhos verdes (que eu não herdei) meio cansados. Mamis é de uma sinceridade elegantíssima e alguns cabelos brancos (que ela pinta). Gosta de batom, brincos pequenos e chama maquiagem de reboco. Irônica (isso eu herdei), tem dentes perfeitos e é dona de uma gargalhada tão rara quanto contagiante. Poucas vezes a vi chorando e assistindo televisão. Mamis ama ler, tem pavio curto e não se mete em meus relacionamentos. Possui uma mania de limpeza e um perfeccionismo irritante. É muito espiritual e de uma simplicidade que a torna linda. Nós adoramos conversar, temos uma boa relação. Ela está sempre com aquele cheirinho bom que só ela tem. Não é cacheada nem tem sardas. É aquela com quem troco todas as noites o “Boa noite, até amanhã. Jeová te guarde!”. Essa é minha mãe e me deu os melhores irmãos do mundo. Mamis é muito mais do que eu possa escrever. Porque mãe é isso mesmo: é mulher, é linda, é mais que tudo, apesar de tudo e acima de tudo. Mãe é TUDO (com letra maiúscula e muito amor).





Sobre Mãe
Mãe é ternura, renúncia e doçura. Mãe é se preocupar com a alimentação dos filhos mesmo quando eles tem 21 anos. Mãe é ponte, elo e origem. Mãe é aquele cheirinho. É o remédio certo pra cada doença, mãe é intuição divina, é mandar levar a sombrinha ou o guarda-chuva, é ser e fazer doce. Mãe é aquele cobertor na madrugada fria, mãe é tia dos amigos e mãe é presente. Presente, passado e futuro. Mãe é aquele abraço quando a gente chega de viagem. Mãe é abrir mão, mãe é ver e fazer crescer, é cuidar durante muito tempo e depois ver partir. Mãe é saudade, é coração sem tamanho, é dar a mão e amar incondicionalmente. Mãe é dar amor e asas pra voar. Mãe é a maior liberdade e o que há de melhor. É sorte grande e é sensação indescritível de quem não a tem mais. Mãe é pra sempre e por sempre. Mãe é a linda sem aspas mais linda sem aspas do mundo. Mãe é mãe, e isso basta.



Lindas: Amanda Deodato e Cecília Barbosa
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terça-feira, abril 19, 2011


Diálogo sem fim

Depois de alguns encontros perdidos e escondidos, na primeira cruzada de olhar daquela dia e antes do quarto, da Itália, do estádio, do terraço, da varanda, da cama e do término sem fim:

Ela – O que foi?
Ele – Não é mais
Ela – Jura?
Ele – Será a partir de agora
Ela – O que você quer?
Ele – Você!
Ela – E o que mais?
Ele – Seu cheiro, seu...
Ela – Falo além de mim, o que você quer?
Ele – Quero pouca coisa pra ser muito seu.


(Silêncio por pouco tempo)


Ele – Você quer?
Ela – (Quando abriu a boca ele a interrompeu)
Ele – Quer que eu te queira? Quer me querer?
Ela – Eu só quero bem, muito...


(Ela passou a mão nos cabelos, ele olhou para o lado e os dois deram um gole)


Ela – Não acha melhor parar?
Ele – Não quer mais vinho?
Ela – Quero vinho, não sei se quero continuar
Ele – Você é capaz de me dar um motivo pra parar?
Ela – Desistir é mais sensato
Ele – Continuar é melhor, bom...
Ela – Faz bem?


(Mais um pouco de silêncio e vinho)


Ele – Você quer que eu vá embora?
Ela – Não e você sabe disso
Ele – Então fique, me deixe ficar
Ela – Só não quero que fique aqui, quero sempre
Ele – Quer ficar no quarto?
Ela – Agora sim
Ele – Falo de agora. Daqui a alguns anos estaremos...
Ela – Você acha?
Ele – Vamos?
Ela – Eu quero ir! Ao quarto, à Itália, à praia e até o fim.
Ele – Eu quero no estádio, no terraço, na cama, na varanda e nada de fim. E que termine assim, sem fim.
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Achei isso perdido pela minha agenda de 2006. Lembro que o escrevi no auge da minha crença no amor sem fim e ainda assim havia um rabisco embaixo: depois escrever o “Diálogo do fim”. Creio que sempre pensei que pode ter fim, ainda que não acabe. Curioso o surgimento e a insistência do que chamam de amor até quando é, no mínimo, findável. Fim. 


Linda: Amanda Deodato
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sexta-feira, abril 01, 2011


Desigual


Espero muito de mim.  Não admito não chegar onde planejei. Sinto dores na cabeça, no corpo e na alma. Nos três. Transpareço para poucos, mas a fragilidade volta e meia me pega pela mão e anda junto comigo. A cabeça dói porque parece que os pensamentos não cabem nela e não acham uma válvula pra escapulir. Meio panela de pressão, sabe? O corpo é o mais fácil de aliviar. Basta deitar e por as pernas pra cima no sofá lilás da minha sala de estar. A alma dói por querer estar tão ligada ao pensar. A alma não entende que é independente, que precisa seguir só, que é desigual, porque assim se fez. Tenta camuflar-se numa suposta coerência dependente daquilo que se acredita ser o correto, calculado, racional.
Quando se decide seguir na contramão, se esbarra ainda mais em obstáculos. Quando se decide ser desigual, se sofre a espera por aquilo que não se sabe se chegará. Apenas acredita-se. Apenas  se ousa caminhar por outra trilha, que poucos costumam seguir, mas que se resolveu pagar e sofrer as consequências para ver o que lhe aguarda. A espera talvez seja o que mais cause dor. Mas talvez seja ela o ingrediente principal do sabor de uma conquista.




Linda: Cecília Barbosa
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terça-feira, março 22, 2011


Mistério no beco sem saída

Na estante do meu quarto as fotos todas ficaram mudas. Antigamente eu até me lembro que elas conversavam comigo. E entre os segredos mais antigos eu guardo um especial... lá no beco sem saída. Se por acaso você entrar lá, não se preocupe, só entra quem eu deixar e pra sair é só seguir a minha sombra. Isso, é claro, se for dia de sol, porque quando chove, eu fico em raios como uma tempestade. E nesses dias você não encontrará a minha sombra. Porém, não se assuste: te convidarei (e você tolo sem escolhas ficará) a permanecer em minha companhia. Você irá pensar que estamos a sós, apenas nós dois... Lamento que não seja assim, pois trago dentro de mim uma diversidade e variedade de mulheres. São tantos jeitos e gestos, cabelos e cores, dramas, dores e damas, olhares errantes, laços e lentes (que insistem em aumentar a realidade) de um espírito sonhador! É uma extrema vontade de mudança, de querer tudo de uma vez, de apelar para mimos e charmes, que às vezes eu mesma me rendo aos encantos próprios, às promessas que tento cumprir mas não consigo e sinto-me fraca em agir assim!

Quando você estiver nesse beco sem saída, conseguirá conhecer um lado da minha vida que é extremamente plural, um espaço íntimo. Mas, para isso acontecer, muitas primaveras terão que despertar. Se você quiser perguntar qual o segredo desse beco sem saída para alguém que já esteve lá, comece procurando pelas ruas, pelo vento, em nomes riscados em árvores, nos papéis de bala, no resto da saudade não contida, no velocímetro do carro, na noite mal dormida, no suor das mãos, nos brincos perdidos, nos sonhos e nas ilusões. Junte tudo isso. Organize as pistas! Talvez, algum dia, alguém consiga aparecer por lá. Talvez alguém que caiba nos meus sonhos...


Linda (especial): Kelly Catarina 


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terça-feira, março 15, 2011


Sobre flores e jardins, desejos e (des)cuidados...

Desejei tanto uma flor e não vi o jardim completo. Estava desejando tanto aquela e só aquela flor que esqueci do jardim, das outras flores e dos outros jardins.
Desejei, apanhei e quis tanto e cuidei, mas ela murchou. Não lembrei que flores murcham e sempre haverá outra com outro cheiro, outra cor, outra beleza...nova e encantadora.
Parti em busca de outra flor e o jardim todo havia murchado, pois cuidei apenas daquela flor que não mais existia. Descuidada que sou esqueci também que as flores murcham e, por isso, o que deve ser cultivado mesmo é o jardim, os jardins, muitos jardins.
Agora, sem buscar nenhuma flor, dê-me licença, cuidarei do meu jardim.

Linda: Amanda Deodato
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quinta-feira, fevereiro 24, 2011


Um Somatório

E aquilo nunca chega. E ela se culpa. E, na sua ânsia e sua teimosia garante que pra que aconteça só depende dela. E se culpa de novo. Já consegue entender que isso não é verdade. Seu grande mérito é querer nada menos que merece, é querer melhor, à altura. E é isso que acaba sendo seu motivo de frustração, mesmo que passageira. Uma mulher que sabe bem o que quer, mas que sabe como é difícil lutar por tudo isso. E que se cansa. Ah, ela cansa. E berra. E se sente só. Não vazia, mas só. Ser quem ela quer ser é ainda um desafio, uma luta diária contra si mesma, contra aquilo que se pensa e não quer mais pensar, por aquilo que tem que abandonar, que permitir, que deixar chegar, que deixar passar. E vem a insatisfação, a dúvida, o pensamento. E ela pensa. Duvida, mas acaba saindo dessas recaídas duvidosas ainda mais cheia de certeza. É isso mesmo que ela quer. E é bom saber que está caminhando bem, tombando, levantando, mas caminhando, fazendo o seu caminho. Um mulher que quer ser. Uma mulher que é.


Linda: Cecília Barbosa
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quinta-feira, fevereiro 10, 2011


Deixa ser...

Como você reage quando uma mulher te encara e assume sua busca por um homem que lhe proporcione estabilidade, segurança e amor? (Eu digo que também quero e acrescento na lista ombros largos!)

Se um homem te encara e afirma buscar aquela mulher que o complete, divida a vida, que seja linda e goste de sexo? (Ajeito os cachos e digo sutilmente, claro, que estou solteira.)


Quando uma mulher em meio a uma conversa qualquer expõe que decidiu beijar, que quer dividir o apartamento e as preocupações e que gosta de passar a mão na cintura de outra mulher? (Sugiro que dividam as roupas também. Mas e aí? Deixo que vocês respondam)

 
E se um homem assume gostar de tocar os ombros largos, gosta de outra voz grossa e trocaria uma noite com todas aquelas bundas da revista por uma noite com alguém que possui seus mesmos "atributos"? (Eu concordo, mas imagine a situação. Como reagiria?)


Ao invés de buscar explicações e justificativas baseadas nos padrões, nos estudos e na ciência e chegar a conclusões mornas, evasivas, conclusões "certas", preconceituosas...

Desarme-se. Conheça. Busque conhecer. Permita-se conhecer.
Se te revelarem o amor por alguém (seja lá a pessoa homo, hetero, bi, emo ou só sexual mesmo) prefira transmitir que ele, o amor, deve ser, acima do parecer; que o prazer esteja acima do dever e que o sentir esteja acima de tudo e apesar de qualquer coisa.
Defendo com firmeza que toda forma de amor é aceitável , sim!
E amar (também) é isto. Aceitar. Respeitar. Deixar livre para ser quem se é e não ser quem querem que seja.
Amor é amar e pronto. E ponto.


"Eu quero crer no amor numa boa. 
Que isso valha pra qualquer pessoa que realizar a força que tem uma paixão..."




Lindas: Amanda Deodato e Cecília Barbosa
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