Espero muito de mim. Não admito não chegar onde planejei. Sinto dores na cabeça, no corpo e na alma. Nos três. Transpareço para poucos, mas a fragilidade volta e meia me pega pela mão e anda junto comigo. A cabeça dói porque parece que os pensamentos não cabem nela e não acham uma válvula pra escapulir. Meio panela de pressão, sabe? O corpo é o mais fácil de aliviar. Basta deitar e por as pernas pra cima no sofá lilás da minha sala de estar. A alma dói por querer estar tão ligada ao pensar. A alma não entende que é independente, que precisa seguir só, que é desigual, porque assim se fez. Tenta camuflar-se numa suposta coerência dependente daquilo que se acredita ser o correto, calculado, racional. Quando se decide seguir na contramão, se esbarra ainda mais em obstáculos. Quando se decide ser desigual, se sofre a espera por aquilo que não se sabe se chegará. Apenas acredita-se. Apenas se ousa caminhar por outra trilha, que poucos costumam seguir, mas que se resolveu pagar e sofrer as consequências para ver o que lhe aguarda. A espera talvez seja o que mais cause dor. Mas talvez seja ela o ingrediente principal do sabor de uma conquista.
Linda: Cecília Barbosa



